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 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO E DATA

A ação do livro de Ester decorre no Palácio de Susã (ou Susa), em Elão, uma das três capitais do império persa. Como os livros de Daniel, Esdras e Neemias, dá-nos uma breve visão dos judeus em Babilônia conforme vistos por alguém que gozava de autoridade na corte real e que estava familiarizado com as suas convenções e hábitos; mas, enquanto que Esdras e Neemias se preocupam veementemente com as aspirações espirituais políticas dos judeus que regressaram do cativeiro, o livro de Ester aborda esses assuntos com reserva estudada e significativa. Em todo o livro palpita um patriotismo férvido e, no entanto, não há uma única referência ao Deus de Israel. Descreve ele situações de perigo, aflição e desespero, mas em todo este quadro bem vívido não ocorrem quaisquer orações ou súplicas ardentes da parte do povo naquela fase de terrível provação. Os judeus choravam e lamentavam-se e Mardoqueu "clamou com grande e amargo clamor", mas o autor evita cuidadosamente dizer que era a Deus que clamavam. Jejuavam, mas não se atribui qualquer significado espiritual a esta prática essencialmente religiosa.

É agora evidente que este cuidado em evitar qualquer referência explícita à religião é deliberada. A melhor explicação é que talvez o livro tivesse sido escrito numa época em que era extremamente perigoso confessar abertamente a adoração de Jeová (compare-se com #Dn 6.7-17).

O período abrangido pelos acontecimentos descritos descobre-se com bastante simplicidade mediante a simples identificação de Assuero. Por acaso, não há já qualquer dúvida razoável quanto à sua identidade, visto esse nome ser uma transliteração bastante próxima do nome persa do rei que os gregos conheciam pelo nome de Xerxes. O seu caráter apresenta notável semelhança com o atribuído a Xerxes por autores clássicos, como Heródoto. Além disso, no terceiro ano do seu reinado, Assuero celebra uma grande festa e reúne todos os homens de destaque do império em Susa (#Et 1.3); ora, no terceiro ano de Xerxes teve lugar um grande encontro dos "persas principais" em Susa para planear a expedição contra a Grécia (Heródoto 7.8). No sétimo ano de Assuero, foram-lhe levadas gentis donzelas de entre as quais ele escolheria a sua rainha (#Et 2.16); no sétimo ano de Xerxes, depois do regresso deste da Europa, consolou-se aumentando o contingente do seu serralho (Hérodoto 9.108-109). Assuero dominava a Média (#Et 1.3); o seu império estendia-se da Índia à Etiópia (#Et 1.1), estando nele compreendidas ilhas do Mediterrâneo (#Et 10.1), posto que a sua capital ficasse em Susa. Tudo isto caracteriza tão somente Xerxes entre os vários monarcas persas. A identidade de Assuero e Xerxes pode ser aceita com alguma certeza, pelo que a ação do livro (que começa com a deposição de Vasti) tem início em 483 A.C.

II. AUTOR E DATA DE COMPOSIÇÃO

Tem havido, sobretudo recentemente, enorme diversidade de opinião sobre este assunto e os críticos de certa escola, em competição uns com os outros, têm procurado situar a compilação de Ester numa data a mais tardia possível do período grego, havendo alguns, até, que lhe atribuem a data de meados do I século A. C. Todavia, há fortes motivos para situar a data de composição num período muito mais próximo dos acontecimentos relatados no livro. A disposição do palácio real conforme descrito no livro de Ester concorda tão perfeitamente com as descobertas dos arqueólogos franceses que trabalharam no local que não subsiste qualquer dúvida razoável quanto à familiaridade do autor com o palácio; no entanto, este foi destruído pelo fogo dentro de trinta anos a contar da morte de Xerxes, circunstância que situaria a composição do livro em qualquer data dentro de um século a contar do período em que a narrativa decorre. O escritor estava manifestamente familiarizado com os costumes persas e parece ter tido acesso a documentos oficiais dessa nação (#Et 9.32). Utiliza palavras puramente persas e, como vimos acima, conhecia a data de certos acontecimentos, como a convocação dos dirigentes persas em Susa. Além disso, o estilo parece-se bastante com o dos livros de Esdras, Neemias e Crônicas. Tudo isto milita a favor de uma data recuada-opinião de praticamente todos os antigos comentadores. Josefo atribui este livro à época de Artaxerxes Longímano (464-424 A.C.), que identifica com Assuero. Santo Agostinho era de parecer que fora escrito por Esdras e o Talmude atribui a sua autoria à Grande Sinagoga, da qual Esdras era presidente. Clemente de Alexandria e muitos outros inclinavam-se a crer que o autor fosse Mardoqueu.

III. CANONICIDADE

Josefo, na afirmação mais antiga que temos acerca do cânon judaico (Contra Apion de Alexandria, 1.8), coloca Ester entre os livros canônicos. Na Bíblia hebraica, figura entre os cinco Megilloth, ou rolos. Não ocorre em várias das primitivas listas cristãs de livros do Velho Testamento, possivelmente por ser considerado parte de Esdras, mas encontramo-lo no cânon dos judeus de Alexandria, havendo sido, na realidade, sempre aceito como canônico pelos judeus. Vem incluído na Septuaginta com consideráveis interpolações que não existem no hebraico e que foram rejeitados por S. Jerônimo. Trata-se de acrescentamentos em certa medida de caracter devocional feitos numa época mais tardia para contrabalançar a surpreendente ausência do livro de qualquer referência a Jeová ou à religião de Israel.

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